Moradores do Butantã são cobrados por condomínio e serviços inexistentes
Publicado por Butantã OnlineMoradores do Jardim das Vertentes, no Butantã, na zona oeste de São Paulo, estão sendo obrigados a pagar condomínio mesmo morando em casas, em ruas normais, que não são condomínio fechado. A Associação dos Moradores teria contratado uma administradora de condomínios sem autorização deles.
Eles começaram a receber cobrança e resolveram não pagar as taxas. Uma das moradoras até entrou na justiça com uma ação separada. A dívida que ela não reconhece passa de R$ 20 mil e a família corre o risco de perder a casa. A briga foi parar na Justiça.
- No início, quando a associação tinha por obrigação realmente defender os direitos dos moradores do Jardim das Vertentes, algumas pessoas contribuíam com um valor de R$ 20 ou R$ 30 ou R$ 40. Provisoriamente, não existia uma obrigação. Eles, de repente, contrataram uma empresa para administrar a associação e começaram a cobrar as pessoas judicialmente. Esse valor simbólico pulou para R$ 220. Eles dizem que quem mora tem obrigação de pagar. Essas foram as palavras dele: quem não tem condição de pagar que mude-se – disse o comerciante Reimo Trufeli.
A administradora contratada pela associação se chama Verde Administradora e Consultoria de Condomínios.
- Eles dizem que estão prestando serviços de manutenção de jardins, alegam que prestam serviço de segurança, mas é de vigilância. Eles alegam que esse bairro é condomínio fechado. Então, eles fazem coleta de lixo. E são todos serviços prestados pela prefeitura e pelo governo. Enfim, são serviços que não existem. Mesmo pagando os impostos, temos que contribuir com essa taxa – reclamou o corretor Nilton Calado Nacarato.
Foi emitido um documento pela subprefeitura do Butantã no qual a prefeitura atesta que o bairro Jardim das Vertentes não é um condomínio fechado ou particular. A Polícia Federal disse que a administradora não tem permissão para prestar serviço de segurança particular.
Em outro documento, os moradores pedem à administradora os contratos assinados por eles, provando que o serviço foi contratado. Eles garantem que nunca assinaram nada. A Verde Administradora não se pronuncia.
- Eu nunca fui chamada para saber quem é a associação, o que coordenava ou aonde era. Nunca recebi comunicado nenhum. Nunca assinei nenhum papel – diz a administradora de empresas Heloisa Pereira Sperandini.
Heloisa foi processada pela administradora.
- Estão me cobrando hoje uma dívida de mais de R$ 21 mil sem nunca ter assinado nada. Então, a primeira coisa que eles pediram foi o bloqueio online de saldos em conta corrente, inclusive meu crédito de salário foi bloqueado. Além disso, eles entraram com um pedido de penhora da minha casa para poder pagar a diferença – falou.
Os moradores que se sentem prejudicados contrataram um advogado para brigar na Justiça.
- O problema é que existem essas associações que eu denomino de falsos condomínios. Esses falsos condomínios contratam administradoras de condomínios e implantam serviços como se condomínios fossem mesmo. Nossa missão é mostrar ao Judiciário e às autoridades competentes para que cesse esse constrangimento. Neste bairro são 115 moradores processados e alguns com casas até indo a leilão – explicou o advogado Roberto Mafulde.
- Isso abalou toda a família. A gente está sendo cobrado e a moral jogada fora. A família toda está sofrendo com isso. Mesmo as crianças que veem o pai e a mãe sendo cobrado sem estar devendo – afirmou Heloisa.
A polícia investiga se houve crime. O Ministério Público encaminhou o caso para a Promotoria de Habitação e Urbanismo, que ainda não se pronunciou sobre o assunto.







